Um dos cuidados de prevenção mais importantes para a saúde do bebê, a puericultura, é rotina nas unidades de saúde de Castro. Assim, o atendimento que objetiva acompanhar o crescimento e o desenvolvimento saudável do bebê é prioridade no município. As consultas que vão desde o nascimento da criança até nove anos de idade são realizadas pelos profissionais médicos e enfermeiros das equipes de Estratégia Saúde da Família (ESFs) nas áreas urbana e rural.
Para garantir a qualidade do programa, o Ministério da Saúde sugere um calendário mínimo de consultas de puericultura, que prevê a realização de sete consultas de rotina no primeiro ano de vida: uma na primeira semana, depois no primeiro mês, no segundo, quarto, sexto, nono e décimo segundo mês. No segundo ano de vida as consultas são semestrais, e após esse período as consultas são anuais, sendo que a puericultura vai até os nove anos de vida da criança.
Para o secretário municipal de Saúde, Julio Sandrini, o papel das ESFs é fundamental. “O atendimento à saúde da criança, especialmente no primeiro ano de vida, é indispensável para garantir um bom desenvolvimento físico e mental. A promoção, proteção, e recuperação do processo normal de crescimento e desenvolvimento da criança nessa faixa etária é uma das prioridades nos projetos e programas da Secretaria Municipal de Saúde”.
O médico de saúde da família, Edinelson Miranda, explica que a puericultura deve iniciar na primeira semana de vida do bebê. “Essa consulta é essencial pois até o décimo dia de vida, a criança deve tomar a vacina BCG- contra a tuberculose – e, caso perca esse prazo, será necessário esperar até o sexto mês para só então tomar a vacina, e nesse período ficará exposta à doença. É também durante a puericultura que se faz o diagnóstico de doenças congênitas, e as orientações adequadas para cada período de vida da criança”, destaca.
É também nesse período que são realizadas as imunizações e a verificação da triagem neonatal (teste do pezinho). Além da verificação da Caderneta de Saúde da Criança, é feita a identificação de riscos e vulnerabilidade do bebê, assim como a avaliação da saúde da mãe. 
Outro atendimento realizado na consulta de puericultura é o exame físico do bebê. Nesse exame são avaliados peso, comprimento e perímetro cefálico, desenvolvimento social e psicoafetivo, estado geral, postura normal do recém-nascido e o padrão respiratório.
A enfermeira Gisele Selmer ressalta que é fundamental que o exame físico seja realizado nesse período. “Pois se trata de um período marcado por várias mudanças, como o crescimento, a mudança na alimentação, as fases em que as crianças passam a ficar mais expostas como, quando começam a engatinhar, por exemplo. Outro fator é a imunidade que está sendo formulada, tudo isso torna essa a fase de maior risco, por isso merece uma atenção maior”, afirma.
Além disso, o estado do sono do recém-nascido também é levado em conta, bem como sinais de desidratação e/ou hipoglicemia. É também avaliada a face, a pele e o crânio, os olhos, orelhas e audição, nariz, boca, pescoço, tórax, abdômen, genitália, ânus e reto, e ainda a avaliação do sistema osteoarticular, coluna vertebral e avaliação neurológica. “Essa fase nos permite identificar se há alguma alteração, são observações simples, como por exemplo, os reflexos neurológicos, o tamanho da calota craniana, o período adequado para que se feche, mas que podem evitar complicações futuras”, salienta.
O aconselhamento antecipado é outro atendimento feito na puericultura. Os responsáveis são orientados sobre os cuidados básicos considerados essenciais para a saúde do bebê, como a posição para dormir, prevenção de infecção viral respiratória e a realização de atividade física. “O aconselhamento também é muito importante, pois o responsável pelo bebê recebe as principais orientações, tira suas dúvidas, é também um momento para desmitificarmos muitos mitos que os pacientes trazem para o consultório e esclarecermos”, diz Gisele. Entre os temas abordados no aconselhamento ainda estão os hábitos alimentares ideais para cada idade do bebê, as lesões não intencionais entre outros assuntos relevantes nessa fase, como a importância do aleitamento materno que deve ser exclusivo nessa fase. 
Na puericultura o profissional de saúde pode identificar também a situação de vulnerabilidade, como a criança que reside em área de risco, apresenta baixo peso ao nascer (inferior a 2.500 g), prematuridade (menos de 37 semanas gestacionais), internações ou intercorrências seguidas, e mãe com menos de 18 anos de idade. “Esse é mais um dos benefícios do vínculo que a ESF propicia: conhecermos todos os nossos pacientes, assim quando a mãe, ou o responsável pelo bebê não comparece às consultas, fazemos a busca ativa, e enviamos as agentes de saúde para verificar o que ocorreu, e chamar a atenção das mães para a importância dessas consultas”, diz Gisele.
As consultas de puericultura são realizadas em todas as unidades de saúde, e são agendadas com antecedência. “É importante que as mães compreendam e se conscientizem que a puericultura é muito importante para a saúde de seu filho, vai evitar que a criança adoeça e permitir que tenha um desenvolvimento saudável”, ressalta Miranda. Para conferir o cronograma de atendimento, os interessados devem procurar a unidade de saúde de referência.